Em Brumado, professores da rede municipal iniciaram o ano letivo com uma reflexão profunda sobre cérebro, aprendizagem e inclusão durante a Jornada Pedagógica 2026 promovida pela Secretaria Municipal de Educação (Semed). Entre os destaques do evento esteve a professora Patrícia Freitas, especialista em Neurociência Cognitiva, que apresentou fundamentos científicos para repensar práticas pedagógicas e formação docente.
A palestra não foi apenas teórica. Ela trouxe implicações diretas para o cotidiano escolar, desde a alfabetização até o atendimento a estudantes com necessidades específicas, reforçando que ensinar hoje exige conhecimento científico, planejamento e intencionalidade pedagógica.
Por que a neurociência importa na escola
Segundo Freitas, falar de neurociência na educação significa compreender como o cérebro aprende para melhorar resultados em sala de aula. Isso muda a lógica tradicional do ensino baseado apenas em conteúdo e disciplina.
Ela explicou que o cérebro não nasce pronto. Entre 0 e 6 anos, a estrutura cerebral ainda está em formação e depende fortemente das experiências do ambiente para se desenvolver adequadamente.
Isso significa que:
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Estímulos adequados moldam conexões neurais
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Falta de estímulo pode comprometer aprendizagens futuras
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Brincar, interagir e explorar são formas legítimas de aprender
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O ambiente escolar tem papel decisivo no desenvolvimento infantil
Em outras palavras, a escola não apenas transmite conhecimento — ela constrói cérebros aprendentes.
Neuroplasticidade: a grande aliada do professor
Um dos conceitos centrais abordados foi a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se reorganizar e criar novas conexões a partir de experiências.
Freitas destacou que, na primeira infância, essa plasticidade é extremamente potente. Por isso, cada atividade pedagógica precisa ser:
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Planejada
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Sistemática
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Intencional
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Progressiva
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Adequada à idade da criança
Estímulos soltos ou sem continuidade têm impacto menor. Já práticas bem estruturadas potencializam o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo.
Alfabetização transforma o cérebro
A palestrante trouxe evidências de estudos de neuroimagem, que mostram mudanças significativas no cérebro após o processo de alfabetização.
Aprender a ler e escrever não é apenas adquirir uma habilidade escolar — é reorganizar circuitos neurais responsáveis por linguagem, memória e atenção.
Isso implica que:
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Alfabetização precoce e bem conduzida fortalece o cérebro
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Dificuldades de leitura precisam ser tratadas com base científica
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Métodos pedagógicos devem dialogar com achados da neurociência
Para Freitas, compreender esse processo ajuda professores a evitar rótulos e apostar em estratégias baseadas em evidências.
Muito além de ler e escrever
A professora enfatizou que a neurociência aplicada à educação não se limita à alfabetização. Ela também orienta o desenvolvimento de outras funções essenciais, como:
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Atenção sustentada
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Foco atencional
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Controle inibitório (capacidade de pensar antes de agir)
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Memória de trabalho
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Autorregulação emocional
Essas habilidades são fundamentais para o sucesso escolar e para a vida adulta. A escola, portanto, precisa formar não apenas bons leitores, mas indivíduos capazes de pensar, concentrar-se e tomar decisões.
A escola de hoje é mais complexa
Freitas chamou atenção para um cenário desafiador: o aumento de diagnósticos de crianças atípicas nas salas de aula regulares.
Isso inclui estudantes com:
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Transtorno do Espectro Autista (TEA)
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Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
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Dificuldades específicas de aprendizagem
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Atrasos no desenvolvimento
Nesse contexto, o professor não pode mais atuar apenas com métodos tradicionais. Ele precisa de formação especializada, apoio pedagógico e respaldo institucional.
Inclusão não é apenas matrícula
Um ponto forte da palestra foi a crítica à ideia de que inclusão se resume a “colocar a criança na escola regular”.
Segundo Freitas, educação especial exige:
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Planejamento individualizado
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Currículo adaptado
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Estratégias pedagógicas específicas
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Avaliação contínua
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Trabalho colaborativo entre professores e especialistas
A inclusão verdadeira acontece quando a escola se adapta ao estudante — e não o contrário.
Currículo flexível e funcional
Para atender à diversidade, o currículo precisa ser:
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Flexível
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Funcional
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Personalizado
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Baseado nas habilidades do aluno
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Alinhado às necessidades reais de aprendizagem
Isso não significa reduzir expectativas, mas ensinar de forma diferente para alcançar resultados equivalentes.
O papel da Semed na formação docente
Ao promover a Jornada Pedagógica 2026, a Semed demonstra compromisso com a atualização profissional dos educadores de Brumado.
A presença de especialistas em neurociência indica uma visão moderna de educação, baseada em ciência, inclusão e qualidade.
A formação continuada fortalece:
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Práticas pedagógicas
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Segurança do professor em sala
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Qualidade do ensino
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Desenvolvimento dos estudantes
Impacto direto na sala de aula
As ideias apresentadas por Freitas têm efeitos práticos imediatos, como:
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Planejamento mais consciente das atividades
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Uso de estratégias baseadas em evidências
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Olhar mais cuidadoso para dificuldades de aprendizagem
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Valorização do desenvolvimento integral do aluno
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Maior sensibilidade às diferenças individuais
O que muda para os estudantes
Para as crianças e adolescentes de Brumado, essa abordagem significa:
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Aprender em um ambiente mais acolhedor
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Receber ensino mais adequado às suas necessidades
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Ter maior chance de sucesso escolar
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Desenvolver habilidades socioemocionais
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Ser tratado como sujeito de direitos e potencialidades
Educação do futuro começa agora
A mensagem central da Jornada Pedagógica é clara: educar hoje é unir ciência e prática.
Neurociência não substitui o professor — ela o fortalece.
Currículo inclusivo não enfraquece o ensino — ele o qualifica.
Formação continuada não é luxo — é necessidade.
Brumado na vanguarda educacional
Ao trazer temas como neurodesenvolvimento e inclusão, Brumado se posiciona como município preocupado com educação de qualidade e baseada em evidências.
Isso reforça a importância de políticas públicas voltadas para:
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Formação docente
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Inclusão escolar
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Aprendizagem significativa
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Desenvolvimento integral dos estudantes
Próximos passos na educação municipal
Espera-se que os aprendizados da Jornada Pedagógica se traduzam em:
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Novas práticas em sala
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Projetos pedagógicos inovadores
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Acompanhamento mais próximo dos alunos
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Parcerias com profissionais especializados
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Fortalecimento da educação especial
Para saber mais
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