Faleceu na manhã deste sábado (14), no Hospital Municipal de Brumado, o cantor Osvaldo Bezerra, conhecido nacionalmente como o “Rei do Brega”. O artista estava internado nas últimas semanas enfrentando um quadro de saúde delicado, que se agravou nos dias recentes, culminando em sua morte.
Aos 92 anos, natural de Pernambuco, Osvaldo Bezerra deixa um legado marcante na música romântica brasileira. Embora tenha consolidado grande parte de sua carreira no estado do Pará, ele também construiu capítulos importantes de sua trajetória na Bahia, onde residia atualmente, em Brumado — a capital do minério.
Esta Notícia de Brumado registra a despedida de um artista que atravessou gerações e se tornou referência no cenário do brega nacional.
Uma vida dedicada à música
A história de Osvaldo Bezerra com a música começou ainda jovem. Em entrevista concedida em janeiro de 2025, ele relembrou momentos marcantes de sua trajetória artística. Segundo o próprio cantor, em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu por cerca de 12 anos.
Na então capital cultural do país, apresentou-se em bares e casas noturnas, buscando espaço em um cenário competitivo. Durante esse período, participou como calouro na Rádio Tupi, uma das emissoras mais tradicionais da época. Na ocasião, dividiu palco com a consagrada cantora Ângela Maria e alcançou o segundo lugar em uma disputa musical quando gravou um disco.
Esses primeiros passos foram fundamentais para moldar sua identidade artística e fortalecer sua vocação para a música romântica, gênero no qual encontraria seu maior potencial.
Consolidação da carreira
Foi na década de 1970 que Osvaldo Bezerra iniciou de forma mais estruturada sua carreira profissional. Em 1977, já em São Paulo, passou a trabalhar com diferentes gravadoras, ampliando sua presença no mercado fonográfico.
O estilo romântico e sentimental, característico do brega, tornou-se sua principal marca. Com letras que falavam de amor, saudade e histórias do cotidiano, conquistou público fiel em diversas regiões do Brasil.
Entre seus maiores sucessos estão as canções “Não brinca comigo” e “Sou caminhoneiro”, músicas que ajudaram a consolidar sua identidade artística e garantiram espaço permanente em rádios populares e eventos regionais.
Reconhecimento no Pará e ligação com a Bahia
Apesar de ter nascido em Pernambuco e iniciado sua trajetória no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi no Pará que Osvaldo Bezerra alcançou reconhecimento mais amplo, tornando-se uma das referências do gênero brega na região Norte do país.
Ainda assim, a Bahia também teve papel importante em sua história. Nos últimos anos, o artista residia em Brumado, onde mantinha vínculos pessoais e afetivos. A cidade tornou-se seu lar na fase final da vida.
Ao longo de mais de sete décadas de trajetória, percorreu praticamente todo o território nacional realizando apresentações. Mesmo com idade avançada, mantinha viva a paixão pela música e pelo contato com o público.
Internação e falecimento
Nas últimas semanas, o cantor enfrentava problemas de saúde que exigiram internação no Hospital Municipal de Brumado. De acordo com informações confirmadas, seu estado clínico se agravou nos dias recentes.
A morte foi registrada na manhã deste sábado (14). Até o momento, não foram divulgados detalhes específicos sobre a causa do falecimento, respeitando-se a privacidade da família.
A notícia gerou comoção entre admiradores, amigos e moradores de Brumado e região, que acompanharam parte de sua trajetória mais recente.
Velório e sepultamento
O velório de Osvaldo Bezerra será realizado no município de Livramento de Nossa Senhora. O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério Jardim da Saudade, localizado no bairro Taquari.
Familiares, amigos e fãs devem prestar as últimas homenagens ao artista, cuja trajetória marcou diferentes gerações da música popular romântica.
O legado do “Rei do Brega”
O título de “Rei do Brega” não surgiu por acaso. Ao longo de sua carreira, Osvaldo Bezerra construiu uma identidade sólida dentro do gênero, mantendo-se fiel ao estilo que abraçou desde o início.
O brega, frequentemente associado à música popular romântica de forte apelo emocional, sempre encontrou público fiel em todo o país. Osvaldo soube dialogar com esse público, cantando histórias simples, intensas e verdadeiras.
Seu repertório atravessou décadas e manteve relevância em festas populares, programas de rádio e eventos culturais regionais. Mesmo com as transformações da indústria musical, ele seguiu representando um segmento tradicional da música brasileira.
A importância cultural
Artistas como Osvaldo Bezerra ajudam a compreender a diversidade cultural do Brasil. O brega, muitas vezes subestimado por setores mais elitizados, sempre teve enorme alcance popular.
A trajetória do cantor demonstra como a música regional pode ultrapassar fronteiras estaduais e consolidar carreiras de alcance nacional. Sua presença em diferentes estados, especialmente no Pará e na Bahia, comprova essa força.
Em Brumado, onde viveu seus últimos anos, deixa não apenas memórias artísticas, mas também lembranças pessoais entre amigos e admiradores.
Despedida de um ícone popular
A morte de Osvaldo Bezerra encerra um capítulo importante da música romântica brasileira. Aos 92 anos, ele carregava a experiência de quem viveu intensamente os palcos, as rádios e as estradas do país.
Esta Notícia de Brumado registra a partida de um artista que fez da simplicidade sua maior virtude e encontrou no amor — tema central de suas canções — a essência de sua obra.
Sua voz, eternizada em gravações e na memória do público, continuará presente nas rádios, playlists e lembranças de quem acompanhou sua caminhada.
Uma trajetória que atravessou gerações
Do jovem pernambucano que se aventurou no Rio de Janeiro em 1950 ao veterano artista que viveu seus últimos dias na Bahia, Osvaldo Bezerra construiu uma história marcada por perseverança e dedicação.
Mais do que títulos ou rótulos, deixa como legado uma carreira autêntica e um repertório que dialoga diretamente com o coração do público.
Brumado se despede de um morador ilustre. O Brasil se despede de um cantor que ajudou a escrever páginas importantes da música popular romântica.
Fábio Souza
Publicitário, Locutor Comercial com mais de 30 anos no mercado e Radialista — DRT: 7198/DF



