Reflexão levanta debate sobre a presença do forró tradicional nas festas juninas pelo Nordeste
Olá, eu sou Fábio Souza, zabumbeiro, locutor, diretor da Rádio Souzamix e publicitário.
Navegando pela internet, encontrei um vídeo que me fez refletir sobre uma questão que talvez muita gente nunca tenha parado para pensar: se Luiz Gonzaga estivesse vivo hoje, ele estaria nos principais palcos do São João?
A pergunta pode parecer exagerada à primeira vista. Mas, quando observamos a programação de muitas festas juninas pelo país, ela passa a fazer cada vez mais sentido.
O São João ainda é a festa do forró?
Durante décadas, falar de São João era falar de sanfona, zabumba e triângulo.
Era impossível imaginar uma festa junina sem os ritmos que ajudaram a construir a identidade cultural do Nordeste.
Foi justamente Luiz Gonzaga quem levou essa tradição para todo o Brasil. O Rei do Baião transformou o forró em patrimônio cultural e ajudou a contar, através da música, a história do povo nordestino.
Mas basta observar algumas grades de programação atuais para perceber que algo mudou.
Os palcos mudaram de ritmo
Hoje, não é difícil encontrar festas de São João dominadas por artistas de sertanejo, axé, pagode, pop e outros gêneros musicais.
Não há nada de errado em abrir espaço para diferentes estilos.
A música evolui, se mistura e acompanha as transformações da sociedade.
A questão levantada por muitos admiradores do forró é outra: será que o espaço destinado ao gênero que deu origem à festa está diminuindo?
Em algumas cidades, artistas historicamente ligados ao São João aparecem cada vez menos nas programações.
Nomes como Flávio José, Elba Ramalho, Santana, Alcymar Monteiro, Assisão, Dorgival Dantas, Flávio Leandro e tantos outros representantes do forró tradicional nem sempre ocupam o espaço que muitos acreditam que deveriam ocupar.
Homenagens e contradições
Outro ponto que chama atenção é que diversas festas realizam homenagens a Luiz Gonzaga.
Seu nome aparece em palcos, monumentos, cenários e campanhas publicitárias.
A imagem do Rei do Baião continua sendo utilizada como símbolo máximo das tradições juninas.
Ao mesmo tempo, muitas vezes o próprio forró tradicional ocupa uma parcela cada vez menor da programação artística.
É justamente essa aparente contradição que alimenta o debate.
Mudança cultural ou perda de identidade?
A discussão não é sobre impedir outros estilos musicais de participarem das festas.
O questionamento gira em torno do equilíbrio.
Até que ponto a modernização dos eventos fortalece a cultura popular? E em que momento ela passa a descaracterizar aquilo que tornou o São João uma das maiores manifestações culturais do Brasil?
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Para muitos defensores do forró, o receio é que as novas gerações conheçam o São João pelas bandeirolas, pelas comidas típicas e pela decoração, mas deixem de ter contato com a música que ajudou a construir toda essa tradição.
Uma pergunta que merece reflexão
Talvez ninguém possa afirmar com certeza se Luiz Gonzaga teria ou não espaço nos grandes palcos atuais.
Mas a pergunta continua provocando reflexão.
Se o artista que é considerado o maior símbolo da música junina brasileira encontraria dificuldades para integrar algumas programações, talvez seja o momento de discutir qual é o verdadeiro papel cultural do São João.
Afinal, preservar tradições não significa rejeitar o novo. Significa garantir que aquilo que construiu a história da festa continue tendo espaço para ser celebrado.
E você, o que pensa sobre isso?
O São João está evoluindo com os novos tempos ou o forró tradicional está perdendo espaço justamente no período mais importante do ano para o gênero?